1 mês na Holanda

E seus incríveis perrengues. Tipo de brasileira mesmo.

Já fez um mês que chegamos em Haia. O sentimento de “não faço ideia do que estou fazendo” ainda vive comigo todos os dias.

E tem muitas coisas aqui que ainda vou demorar muito tempo para acostumar. Tipo o carro parar para você atravessar a rua. Todas as vezes eu paro na calçada olhando quantos carros tenho que esperar passar pra não ser atropelada e aí o próximo já para e eu fico com aquele medo bem brasileiro de ser atropelada.
Ou a confiança dada a você como cidadão, por não existir um cobrador ou pessoa responsável por olhar se você passou seu cartão nos ônibus e trens. Eu fico neurótica de passar o cartão no sensor porque eles confiam que eu vou ser uma boa pessoa (e juro que se um dia eu esquecer, vou me sentir péssima).
Ou ser bem brasileira e achar muitas situações impossíveis de acontecerem onde eu morava. Vimos um carro todo aberto com uma mudança no porta malas e a chave no contato, a porta da casa aberta e uma criança brincando na frente. Como bons brasileiros, achamos que uma coisa dessas no Brasil significava que aconteceria um roubo no segundo seguinte. Mas aqui não, fomos e voltamos do mercado e o carro estava na mesma posição, só com coisas a menos dentro, com os novos moradores da casa levando suas caixas pra dentro tranquilamente.


Foi uma mudança louca e radical, enfiando em duas malas as nossas vidas e coragem. Passamos por perrengues bem ao estilo Brasil, fizemos coisas sem entender, gastamos mais por que não sabíamos o que estávamos fazendo (e tenho certeza que ainda não sabemos).

E ainda nem sei dizer bom dia pro vizinho.

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