As metas de um ano novo

Até 2015, eu não gostava de criar uma lista grande de metas de ano novo. Minha lista tinha, no máximo 5 itens, sendo que o número 1 sempre era: ser feliz. E essa meta era seguida de “ler x livros no ano” ou “ver 1 filme no cinema por mês”. No último ano da faculdade, 2015, minha única meta de ano passou a ser: “se formar”. A faculdade ja tinha virado aquele lugar tóxico onde você não se sente bem, não faz o que gosta e faz um TCC empurrado, só para sair de lá. E então, em 2016, formada, trabalhando e com a vida andando, eu pensei: ta bom, a única meta do ano vai ser: “fazer tudo de bom.”

Pois é, acho que cresci. Nenhuma lista dessas faz mais sentido. Estipular metas e sonhos para um único ano realmente não me chama mais a atenção. Entenda: eu acabei desenvolvendo um pequeno pânico social ao me mudar de país. Eu ainda estou no período de adaptação (com ganhos todos os dias) mas tem alguns dias em que simplesmente não dá. Uma meta de ano ficaria me fazendo mais mal ainda. E então, pela primeira vez na vida, eu criei a meta de não ter metas.

Simplesmente quero viver a vida. Planejarei o que quero fazer, mas sem cobranças caso isso não aconteça. Reparei que metas de ano me faziam muito mal. Eu só conseguia ver o lado negativo delas, nunca o positivo. Por exemplo, em 2010 eu tinha a meta de ler 50 livros no ano. Cheguei em 43. E na época eu estava feliz com isso. Em 2016, eu li 3 livros. E isso me fez mal. Eu tentei entender o que havia acontecido comigo (uma pessoa que podia perder horas e mais horas lendo e que depois caía no sono em 3 parágrafos). Não era um problema de estar sem tempo. Era um problema de gerenciamento da vida mesmo. Cade aquela vontade louca de ler metade de um livro em um único dia? Isso sumiu da minha vida e eu não sei onde foi.

Então, esse tipo de cobrança não me traz nenhum bem. Eu não encaro meta de ano novo muito bem, mas ultimamente desafios e grupos têm me interessado muito mais. Ter pessoas para partilhar algo proposto é muito melhor. E isso não é uma meta, pois não fiz nenhuma promessa. É ler algo, gostar e ir fazer. São vontades feitas, não promessas vazias.

Esse ano é o primeiro ano que eu não tenho absolutamente nenhuma meta, nenhum planejamento de longo ano, nenhuma promessa para me arrastar. Ano passado foi um tapa na cara de realidade em que você não precisa de promessas, mas sim de se abrir para o que o mundo pode oferecer (e eu não digo isso por causa da mudança). Tenho vontades para cumprir no ano, como desenhar o máximo que conseguir e me dedicar para fazer o canal do youtube dar certo. E essas vontades, só por existirem, já são conquistas para mim.

E você, quais são suas vontades?

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