Holanda – Como vim parar aqui?

Foi uma coisa que aconteceu tão de repente que quando comecei a espalhar a notícia que viria passar alguns meses na Holanda, as pessoas se assustavam. Afinal, eu tinha acabado de me mudar com meu (então) namorado, compramos nosso apartamento e estávamos terminando de pagar pela reforma, quem dera os móveis. Não tinha nem me acostumado com meu próprio apartamento e surge esse tipo de oportunidade. O casamento estava nos planos, só tivemos que casar antes do que pensamos.

Meu marido trabalha com desenvolvimento de software e ja trabalhava em uma empresa com inglês fluente, tendo ja ido aos EUA a trabalho duas vezes. Uma empresa procurou ele oferecendo a oportunidade de emprego na Holanda, e nem me pergunta como acharam ele, pode ter sido pelo Linkedin ou GitHub, eu não sei. E tcharans, depois de entrevistas via skype e com contrato de emprego assinado, temos a nossa chance de morar na Europa. Tudo, desde o contato inicial, entrevistas e contrato, foi providenciado pela empresa contratante, que são os responsáveis legais por nós dentro da Holanda. Em momento algum viemos antes de estar com o emprego garantido.

Foi um momento de decisão, eu largar meu emprego, decidir passar esse período longe da família e dos amigos (admito que esse foi o pior ponto a decidir) e fazer as arrumações. Toda a documentação foi feita pela empresa, é um visa de trabalho emitido pela prefeitura de Haia, sendo que aqui tem um termo: expats, e assim estamos aqui da melhor maneira. Expats são pessoas de outros países que vêm à Holanda para trabalhar e morar.

Entre o contrato de trabalho ser assinado e toda a documentação rolar foi mais ou menos um mês. Eu tive um mês para sair do trabalho, organizar contas, saúde, apartamento e questões legais. Deixei uma pessoa no Brasil com minha procuração de plenos poderes para poder responder por mim em qualquer forma legal e deixei tudo quase que intocado – afinal nós não sabemos quanto tempo iremos ficar.

Eu compactei minha vida em uma mala (sim, só uma) que ficou com 25 kg. E acredite, eu deixei muita roupa para trás, afinal não usaria no clima daqui. Trouxe o máximo das minhas tralhas de desenho e trouxe meu notebook. Pronto, tínhamos o essencial para viver.

Planejamos o máximo possível dessa aventura, afinal nós tínhamos que saber se era financeiramente bom vir. Acredite, os impostos aqui podem pegar até 51% do salário recebido. Para expats, existe uma lei que limita a 30% de imposto sobre o salário, o que ajuda, mas demora até essa regra se aplicar ao que recebe. O que foi o ponto baixo do nosso planejamento foi que tínhamos planejado conseguir alugar um apartamento mobiliado. E qual a nossa surpresa ao chegar aqui que não tinha quase nenhum disponível. Viemos em uma época onde estudantes costumam vir e os lugares mais baratos ja tinham sido alugados. Até conseguimos um mobiliado e dentro do orçamento, mas era longe do centro, tendo que pegar 2 bondinhos para chegar. A solução foi pagar mais para ficar na região onde queríamos e por um apartamento sem mobília.

Vivi os meses de agosto e setembro inteiros só com a cama e a mesa (que comprei em um brechó e carreguei sozinha até o apartamento). Graças a isso eu conheci a Ikea. A cama foi comprada ás pressas (dormimos em um colchão de ar na primeira semana) e ainda bem que existe um bazar de doações na rua onde moro. Lá vendem coisas doadas por valores baixos e foi assim que comprei a mesa, cadeiras e tralhas de cozinha (tudo isso não deu nem 30 euros). Agora as coisas estão melhores, pudemos comprar alguns móveis para sobreviver e eu comecei uma vida mais minimalista, sem muitas coisas.

E esse é o relato de como eu vim parar na Holanda. Uma aventura de medo, ansiedade, nervosismo e morar em um país completamente desconhecido.

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